Na Marimbonda habitam as memórias que impulsionam este projeto

DSC_5692A fotografia é a escrita que me escolheu. Busco nas minhas imagens descrever um pouco de mim, de minhas memórias e do que estou aprendendo com aquele momento. Assim, o outro, o seu cotidiano, seus problemas, suas alegrias e tristezas, são histórias que instigam minhas memórias e atuam como matéria prima fértil do meu fazer fotográfico.

O que mais me interessa quando saio para fotografar é mergulhar neste universo, neste diálogo entre meu objeto fotográfico, minhas memórias e meus questionamentos diários sobre o que é essencial.

A imagem vem num segundo momento, flui de forma bem natural, e vem para eternizar o que estou vivenciando. Tentar entender o homem e sua incursão no mundo é meu tema favorito, e vejo na fotografia um grande pretexto para conhecer suas particularidades e dialogar com ele.

Comecei a fotografar de forma despretensiosa; comprei minha primeira máquina e me arrisquei neste universo. A fotografia, para quem quer aprender, é um terreno fértil e nos leva a um aprimoramento constante. Assim, comecei a querer sempre um pouco mais dela e fui dando meus passos; um de cada vez, sem correr.

A fotografia não nasceu para os que têm pressa; ela se alimenta de memórias, e as memórias precisam de tempo para serem acolhidas dentro de nós mesmos.

Durante minhas andanças fotográficas despretensiosas pelo interior de Minas, vislumbrei a possibilidade de realizar um trabalho mais completo; foi quando nasceu à ideia do meu primeiro Livro “Poeira e Porteira” que considero o marco inicial, onde, toda a filosofia que conduz este novo projeto despertou.

Desta mesma forma despretensiosa e com este espírito nasce o Mané da Marimbonda que traz como DNA temático o que tenho chamado de “Minimalismo Fotográfico”; um mergulho na compreensão sobre o que é essencial e suficiente, uma tentativa de inserir a fotografia na mais profunda reflexão sobre a vida, tendo como ambição principal tornar visível, através da imagem, os relatos do contraditório, do belo, do singelo do simples; reflexões que nos visitam todos os dias, e assim, dar luz ao imperceptível que um dia habitou nossas memórias da infância.

Na Marimbonda habitam minhas melhores memórias, época da vida onde cheguei bem perto de entender o que é essencial. Assim, de uma brincadeira com meu tio Fernando o “Vevé” que é “especial” em todos os sentidos, nasceria o nome que batizaria este projeto. De sua alma pura, onde ainda sobrevive uma criança, surge o personagem que daria vida a esta ideia. Nome simples e divertido, mas carregado das melhores recordações; capaz de remeter a força que só as memórias da infância são capazes de impulsionar.

“Você é o Mané da Marimbonda”, dispara meu tio Vevé numa tarde de domingo. O nome encoou em meus ouvidos e me fez sentir novamente o gosto da minha infância e me arrebatou para o sitio de minha avó no Bairro São Pedro; memórias que tiveram uma conotação especial naquele dia, uma boa lembrança que me fez olhar para a infância como um sentimento que se perdeu no meio do caminho. Tive a certeza de que o essencial é o melhor alimento para alma. Anotei rapidamente no papel este nome para não esquecer e guardei comigo.

Quando o projeto estava prestes a sair do papel e precisava de um nome único, capaz de sintetizar todos estes sentimentos dentro de mim, o Mané da Marimbonda ganhou a força das minhas memórias, deu significado as minhas reflexões acerca da vida, uma filosofia clandestina e sem lugar. A Marimbonda do meu tio Vevé remete a um tempo, onde, o essencial era tudo o que tínhamos; um impulso que inspira e dá direção a este projeto. Minhas memórias agora habitam na Marimbonda, tem um personagem único e um padrinho muito especial.

Marco Zuchi

4 comentários Adicione o seu

  1. Rose França disse:

    Que belo texto…

    Curtido por 1 pessoa

  2. Marlene Gaudereto Lamas. disse:

    Marco é meu genro.
    Quanto mais o tempo passa, mais se vai conhecendo alguém.
    Venho conhecendo pouco a pouco o Marco.Do que sei dele,do que observo nele,penso, seja na Arte de fotografar e expor suas idéias,ter já uma conclusão.
    O Marco é um Filósofo no que tange a observação e seu relacionamento com a vida.
    Este e outros trabalhos dele refletem essa filosofia,
    Gosto muito e tenho a dizer neste comentário o quanto o admiro como pessoa e agora como Escritor, Fotógrafo e principalmente como um homem temente a Deus.
    Marlene.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Maria Inês disse:

    Muito bom Zuchi! Grande sacada! Se o essencial não se perde, estamos salvos. Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  4. RITA DE CASSIA PIAZZI disse:

    Eu sabia que Marimbonda tinha um grande significado, vindo de você meu querido amigo, não poderia ser de outro jeito! Amei!!!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s