O Projeto

As histórias precisam de alguém que as acolham. Nascem no silêncio de quem as escreve, mas, precisam de alguém que se encante por elas a ponto de querer conta-las. São incapazes de seguir sozinhas, isto é fato. Precisam que olhos deslizem por suas letras e imagens e juntem suas inquietudes em um pedaço de papel e as carreguem consigo mundo afora. Dizem que as boas histórias têm medo de serem esquecidas e trombam por acaso, como fio de esperança com aquelas pessoas que estão realmente dispostas a conta-las.

O projeto “Mané da Marimbonda” tem na fotografia seu ponto de partida, mas, é na interação humana que habita a sua personalidade. Ouvir para poder enxergar; observar o que passa despercebido; fazer as perguntas que precisam ser respondidas são algumas das inquietações deste projeto, que se mostra como um espaço de inspiração e encorajamento para todos que buscam por um encontro com o essencial. Assim, para se expressar, o projeto buscará na oralidade do cotidiano, no registro fotográfico minimalista, e na escrita uma fórmula capaz de abraçar e dar voz a esta filosofia clandestina e sem lugar.

Minimalismo Fotográfico talvez sejam as duas palavras que melhor sintetizam o que este projeto quer propor: um mergulho na compreensão sobre o que é indispensável a uma vida feliz. Uma busca de alimento para a alma, necessidade básica para nossa existência, negligenciadas diariamente pela fugacidade da modernidade.

Toda expedição fotográfica deste projeto terá como ponto de partida esta inquietação, esta busca por respostas. Como um diário de bordo, um instrumento de desabafo, ou um dedo de prosa. O texto será o fio condutor de toda a construção fotográfica, capaz de alinhavar o que estou vivendo em cada projeto fotográfico. Imagens construídas pela oralidade que irei encontrar pelo caminho, pelas memórias visitadas, pelos contos e causos contados, e na poesia popular. Como uma “fotografia de cordel”, instrumento de inspiração e de autoconhecimento, um mergulho na alma do outro, e um contra mergulho deste autor; que resolveu sair de casa na busca de fôlego e significados para a sua existência.

Fotografia como instrumento deste mergulho na alma, deste encontro com o essencial, desta mistura sob medida entre o fazer fotográfico e as histórias que virão a meu encontro; velhas e novas memórias que irão fazer parte deste projeto, e que farão da minha máquina fotográfica apenas um detalhe no pescoço de quem resolveu se encontrar com o mundo.

Marco Zuchi